Ultraformer MPT, método de lifting
Se você observar a estrutura de sustentação da face humana, verá que o segredo não reside apenas na derme superficial, mas em uma camada profunda e fibrosa conhecida como SMAS (Sistema Musculoaponeurótico Superficial). Historicamente, o acesso a essa estrutura era exclusividade do bisturi em ritidoplastias invasivas. No entanto, a engenharia biomédica subverteu essa lógica ao utilizar ondas mecânicas de alta intensidade para realizar o que chamamos de “lifting sem cortes”. Quando falamos de tecnologias como o Ultraformer III ou MPT, não estamos tratando apenas de um aquecimento genérico da pele. O processo é cirúrgico em sua precisão, embora não invasivo em sua execução. O transdutor emite ondas de ultrassom microfocado que atravessam as camadas superficiais sem causar dano térmico à epiderme, concentrando toda a energia em um ponto focal específico. Ali, a temperatura atinge entre 65°C e 75°C, gerando os chamados Pontos de Coagulação Térmica (TCPs). A cascata biológica do ultrassom microfocado O que acontece nos milissegundos após o disparo é uma resposta biológica fascinante. Ao atingir o SMAS e a derme profunda, o calor causa a desnaturação imediata das fibras de colágeno existentes. Isso pode parecer contraproducente, mas é o gatilho para a retração tecidual imediata. A longo prazo, o organismo inicia um processo de reparação cicatricial controlada: Fase Inflamatória: Liberação de mediadores que atraem macrófagos para a área. Fase Proliferativa: Recrutamento de fibroblastos que começam a sintetizar novo colágeno tipo I e elastina. Fase de Remodelamento: Organização dessas fibras em uma rede mais densa e resistente, devolvendo a tensão à fáscia muscular. Diferente de um preenchimento com ácido hialurônico, que atua repondo volume perdido, ou do Botox, que modula a atividade muscular para suavizar rugas dinâmicas, o ultrassom focado atua na estrutura mecânica. É a diferença entre reformar o estofado de um sofá e reforçar a própria estrutura de madeira que o sustenta. Do micro ao macro: a versatilidade dos transdutores A precisão técnica se manifesta na escolha dos transdutores. Para o rejuvenescimento facial e tratamento da flacidez palpebral, utilizamos frequências mais altas e profundidades menores (1.5mm a 3.0mm). Já para o contorno mandibular e papada, o foco é o transdutor de 4.5mm, que alcança diretamente a fáscia. No corpo, a abordagem muda para o ultrassom macrofocado. Aqui, o objetivo não é apenas a firmeza, mas a lipólise seletiva. Em áreas como o abdome ou o “gordura do sutiã”, os transdutores de 6mm, 9mm ou 13mm entregam energia suficiente para induzir a apoptose (morte celular programada) dos adipócitos, enquanto simultaneamente tratam a flacidez sobrejacente. Imagine um paciente de 45 anos com perda de definição na linha da mandíbula (o famoso jowl). Em vez de preencher a região — o que poderia deixar o rosto pesado e excessivamente largo — a estratégia técnica superior envolve o uso do Ultraformer para tracionar o SMAS e reduzir a gordura submentoniana. O resultado é uma face mais leve, angulada e, acima de tudo, anatômica.